A TRANSITORIEDADE DA VIDA E A SUPERFICIALIDADE DOS SENTIMENTOS
by Nívea Ferraz
em 29 de julho de 2007
Dia desses eu visitei minha avó no lar de idosos onde ela se encontra. Vê-la ali, naquela fragilidade, e ver aquelas outras pessoas, me faz retomar essas questões. Minha avó sempre foi uma mulher inteligente (uma boa geminiana!), voluntariosa, geniosa. Era uma verdadeira matrona, controladora da vida do marido e dos dois filhos, assim como a dos irmãos e parentes mais próximos. As noras não tiveram muito refresco com ela não, minha mãe que o diga! Mas com milhares de defeitos, que todos nós temos, foi boa mãe e boa avó. Fico triste de vê-la como está, abandonada pela família, sem o seu lar, o marido, sem a vitalidade do corpo ( porque a do espírito continua intacta, mesmo tendo passado por tantos dissabores - isso aumenta a minha admiração por ela!). Olho também para os seus companheiros ao redor, um foi aviador, a
outra, argentina, era antropóloga. Todas essas pessoas um dia foram jovens, alguns foram belos (minha vozinha foi e ainda é!), outros tiveram dinheiro, e hoje, se possuem lucidez, já estão no lucro... essas são coisas que costumamos não pensar, geralmente até evitamos. Mas a verdade é que todos (se a morte não nos encontrar ainda na juventude) passaremos por essa fase. O corpo perderá o viço e a vitalidade, a mente pode se perder em devaneios...
Se for parar pra pensar, a gente muitas vezes não precisa esperar a velhice para perder a beleza, a saúde, as plenas faculdades. Qualquer um de nós, a qualquer momento, pode sofrer um acidente e ficar deformado ou inválido. E sabe o que é mais duro? Pensar que você pode não ser mais alguém "desejável", socialmente, sexualmente... porque todos, inevitavelmente, nos preocupamos e nos incomodamos o que os outros pensam de nós, com a forma pela qual nos vêem, nos conceituam. Em suma, queremos ser aceitos, considerados, admirados, amados.
Eu não sei se todo mundo faz isso, mas eu costumo me transportar para determinadas situações, e tentar sentir como seria minha vida se determinada situação, boa ou ruim, acontecesse. Talvez seja um pouco de masoquismo psicológico, mas eu às vezes fico imaginado como seria a minha vida se eu ficasse deformada e inválida. Sei que teria o amor e o apoio da minha família, mas de qualquer forma, só o fato de precisar das pessoas para as necessidades básicas deve ser algo brutalmente difícil. Socialmente não seria mais desejável; por mais que se fale hoje de inclusão, aquela coisa do "ser diferente é normal" - o que eu acho muito bacana - o caminho para a
plena aceitação das diferenças ainda é longo. Perder a beleza, a atratividade, então, deve ser muito duro. Porque (no meu caso) quando se é mulher, jovem, magra, "ajeitadinha", a gente se acostuma a ouvir elogios, a atrair olhares.
Agora eu me lembro daquela música da Alanis Morissete, que por sinal eu nem gosto muito, mas a letra é interessante, e tem tudo a ver com essas coisas que eu estou falando:
"That I would be fine even if I went bankrupt
That I would be good if I lost my hair and my youth
That I would be great if I was no longer queen
That I would be grand if I was not all knowing
That I would be loved even when I numb myself
That I would be good even when I´m overwhelmed
That I would be loved even when I was fuming
That I would be good even if I was clingy
That I would be good even if I lost sanity
That I would be good whether with or without you"
em 29 de julho de 2007
Tem uma coisa que sempre ocupa minhas preocupações e meus pensamentos, e que eu acho que é questão fundamental da vida: a brevidade da existência, a temporalidade, a impermanência do ser... questão angustiante, da qual não podemos e nem devemos fugir. A visão que eu adotei para encarar essa questão é a visão filosófico-religiosa do espiritismo. Mas isso nem vem ao caso.
Dia desses eu visitei minha avó no lar de idosos onde ela se encontra. Vê-la ali, naquela fragilidade, e ver aquelas outras pessoas, me faz retomar essas questões. Minha avó sempre foi uma mulher inteligente (uma boa geminiana!), voluntariosa, geniosa. Era uma verdadeira matrona, controladora da vida do marido e dos dois filhos, assim como a dos irmãos e parentes mais próximos. As noras não tiveram muito refresco com ela não, minha mãe que o diga! Mas com milhares de defeitos, que todos nós temos, foi boa mãe e boa avó. Fico triste de vê-la como está, abandonada pela família, sem o seu lar, o marido, sem a vitalidade do corpo ( porque a do espírito continua intacta, mesmo tendo passado por tantos dissabores - isso aumenta a minha admiração por ela!). Olho também para os seus companheiros ao redor, um foi aviador, a
outra, argentina, era antropóloga. Todas essas pessoas um dia foram jovens, alguns foram belos (minha vozinha foi e ainda é!), outros tiveram dinheiro, e hoje, se possuem lucidez, já estão no lucro... essas são coisas que costumamos não pensar, geralmente até evitamos. Mas a verdade é que todos (se a morte não nos encontrar ainda na juventude) passaremos por essa fase. O corpo perderá o viço e a vitalidade, a mente pode se perder em devaneios...
Se for parar pra pensar, a gente muitas vezes não precisa esperar a velhice para perder a beleza, a saúde, as plenas faculdades. Qualquer um de nós, a qualquer momento, pode sofrer um acidente e ficar deformado ou inválido. E sabe o que é mais duro? Pensar que você pode não ser mais alguém "desejável", socialmente, sexualmente... porque todos, inevitavelmente, nos preocupamos e nos incomodamos o que os outros pensam de nós, com a forma pela qual nos vêem, nos conceituam. Em suma, queremos ser aceitos, considerados, admirados, amados.
Eu não sei se todo mundo faz isso, mas eu costumo me transportar para determinadas situações, e tentar sentir como seria minha vida se determinada situação, boa ou ruim, acontecesse. Talvez seja um pouco de masoquismo psicológico, mas eu às vezes fico imaginado como seria a minha vida se eu ficasse deformada e inválida. Sei que teria o amor e o apoio da minha família, mas de qualquer forma, só o fato de precisar das pessoas para as necessidades básicas deve ser algo brutalmente difícil. Socialmente não seria mais desejável; por mais que se fale hoje de inclusão, aquela coisa do "ser diferente é normal" - o que eu acho muito bacana - o caminho para a
plena aceitação das diferenças ainda é longo. Perder a beleza, a atratividade, então, deve ser muito duro. Porque (no meu caso) quando se é mulher, jovem, magra, "ajeitadinha", a gente se acostuma a ouvir elogios, a atrair olhares.
Agora eu me lembro daquela música da Alanis Morissete, que por sinal eu nem gosto muito, mas a letra é interessante, e tem tudo a ver com essas coisas que eu estou falando:
"That I would be fine even if I went bankrupt
That I would be good if I lost my hair and my youth
That I would be great if I was no longer queen
That I would be grand if I was not all knowing
That I would be loved even when I numb myself
That I would be good even when I´m overwhelmed
That I would be loved even when I was fuming
That I would be good even if I was clingy
That I would be good even if I lost sanity
That I would be good whether with or without you"
É por tanto pensar nessa questão que eu não consigo ver sentido nas coisas que a maioria das pessoas vêem. Não consigo achar que ocupar determinado cargo, ter uma casa assim ou um carro assado, ser belo e bem vestido possa fazer de mim mais feliz, porque simplesmente isso tudo é uma grande ilusão. Ter uma roupa da grife tal, ter colocado silicone nos seios, não fez a menor diferença na pessoa que eu sou e nas coisas que eu penso. Eu não sou as coisas que eu tenho, nem o corpo que me reveste. Mas o que realmente dói na alma é pensar que as pessoas enxergam umas às outras, como a si mesmas, dessa forma completamente superficial. E que os
sentimentos, muitas vezes são puramente determinados por essa visão míope do ser humano, e da vida.
sentimentos, muitas vezes são puramente determinados por essa visão míope do ser humano, e da vida.
