THELMA E LOUISE - ABAIXO DOS TRÓPICOS

Um blog de duas doidas...

17.12.06

DIVAGAÇÕES... by Nívea Maria

Desde que me entendo por gente dou de estranhar o mundo, as pessoas. Acho que quase todo mundo já teve essa sensação, mas pra mim ela é muito recorrente; de que aquilo que você está vivendo num determinado instante não é real, parece um sonho, sei lá... tive essa sensação em várias ocasiões, em casa, na sala de aula, em festas e outros eventos sociais. Estou conversando, normalmente, e daí eu começo a olhar ao meu redor, para as pessoas e não reconhecer aquilo tudo como real; entro num estado de quase transe. É muito esquisito. Mas ultimamente eu tenho tido uma percepção muito forte de que nada do que eu estou vivendo de fato é real. Será que estou ficando louca? Pode ser... só que agora eu não fico nesse estado catártico ou de semi-transe. A sensação é constante. Na verdade, ela é bem desagradável, pois eu não deixo de questionar tudo e todos. Acho que o meu senso crítico anda nas alturas... rs... meio confuso, né?
Bem, o que acontece é que eu estou com um olhar bastante desencantado diante da vida. Sabe quando você acha que tudo ao seu redor é falsidade? Que as relações socias não passam de teatrinhos, e dos mais furrecas... muito incômodo isso, porque, de uma forma ou de outra eu também faço parte desse "elenco", e me pego "atuando" como todo mundo. Tem horas que dá vontade de fugir dessa encenação toda, mas no fim você percebe que não dá. O que resta é continuar o show.
E no fim das contas, só o fato de eu estar aqui escrevendo isso e pensando em publicar no meu blog já indica que eu pretendo continuar a grande encenação da vida. Me lembrei agora daquele filme com o Jim Carrey... como se chama mesmo? "O show de Truman". Estou me sentindo meio como o Truman quando ele descobre que a sua vida é uma novela, que ele não passa de um personagem numa trama elaborada e controlada por alguém, e que cada acontecimento de sua vida é acompanhado e até mesmo planejado de acordo com os desejos dos expectadores.
O que sempre resta é se readaptar ao personagem e seguir em frente, não temos escolha. Mas lá no fundinho ainda nutro a esperança de um dia encontrar um lugarzinho especial onde eu possa ser eu mesma e as pessoas também sejam elas mesmas, e tudo seja "de verdade". Vai ver que esse lugarzinho está dentro de mim. Dentro de cada um de nós.
(Em 16 de dezembro de 2006)