THELMA E LOUISE - ABAIXO DOS TRÓPICOS

Um blog de duas doidas...

26.11.06

POESIAS E PROFECIAS DAS NOITES- by Manuzinha

Dia bom...
Noite boa...
Surpresas...
Noites brancas, almas brancas...
Lições de vida de desconhecidas... Aliás, não mais tão desconhecidas assim.
Gente nova... Que também já não é mais nova, mas que continua sendo gente boa; que entra pra nossa memória; que a gente quer que continue.
Andar reparando na vida dos outros, e fingir que se está fazendo antropologia!
Teatro de rua. Música de rua. Miséria de rua.
Gente de rua. Gente na rua.
Nós também estamos na rua.
E é bom estar na rua. É quando vemos o que acontece.
...
Um anjo descendo do prédio por uma bandeira do Brasil.
Bênçãos muitas!! Muito axé para todos nós...
Bolas brancas caindo para clarear a noite escura...
Um mendigo agradecendo uma senhora por ganhar uma das tais bolas. Fui testemunha desta cena.
Conversa no metrô com desconhecidos que não podem revelar suas identidades por questões éticas. Sim, alguém ainda conhece o significado desta palavra!
Cachaça, gelo, açúcar e limão. Sacode, sacode, sacode.
“Pronto, senhora!”
Gente olhando a dança dos outros.
Gente dançando para os outros.
Gente dançando para um outro.
Licenças poéticas!!
Mistura de gentes, de raças, de sotaques, de identidades. Mistura boa.
Ônibus corrido, sem saber bem para onde se vai.
Sorriso meio de lado, meio cansado, mas que resume o que se sente:
“Porque parou, parou por quê?”
Queijo de coalho a R$1,50.
Reencontro da nobre senhora que tem muito a ensinar, com as jovens meninas com muito a aprender.
Aprendi muito.
Com ela, com cada pessoa que cruzou comigo, e sozinha.
Voando alto na van, volto pra casa com o pensamento nos ares, sem sair do trajeto castelo- linha vermelha- casa.
Vista do Fundão.
“Quase lá.”
Mc Donald's.
“Se der pra parar um pouco antes do próximo ponto, eu agradeço.”
“Boa noite.”
Em verdade acho que deveria ter sido bom dia.
Conhecidos novos lugares, novos movimentos; aprende-se a falar, ou pelo menos a pensar um pouco mais sobre eles.
É na rua que nos inventamos. Que somos o que queremos ser.
Mas ainda assim somos nós.
Talvez um outro lado que descobrimos a cada ida à rua.
E que, aliás, podemos reinventar.
Mas não havia invenção ou reinvenção. Talvez descoberta.
Era eu mesma!
Com o mesmo axé forte pra maluco.
Com a mesma vontade de estar ali.
Com as mesmas roupas de sempre.
Com o mesmo “será que é comigo?” em mente.
Torcendo pro tempo não passar, e pra noite não acabar.
Porque afinal noites brancas são raras.
Então não conheci só lugares novos e novas pessoas, mas antes disso me reconheci! Porque descobri que sou cada uma daquelas pessoas; e estou presente em cada uma também.
Que venham outras noites, de todas as cores, com todos os cheiros, e todos os sabores...
Noites poéticas. Noites proféticas.
Onde se vê como o povo é rimado, ainda que tão diferente.
Noites coloridas, almas coloridas...
Noites de todos!

22.11.06

UMA RAPIDINHA


Ontem eu disse pra minha nobre companheira que nada do que aconteceu viria parar aqui... Mas aí ela concordou! Assim não dá, descobri que eu nasci mesmo pra ser do contra!!!
...
Mas enfim... Não direi nada de comprometedor!!!
Show da Beth Carvalho e Orquestra Imperial.
Fomos para conhecer a Orquestra. Eu porque nunca tinha visto, e ela porque não tinha conseguido ver da vez que tentou... rsrsrs... Pedro Neschling tava melhor, e o álcool no sangue!!
Não sei quanto a ela, só sei que eu voltei para casa sem conhecer a Orquestra! E para falar a verdade nem vi nada de ruim nisso!! :-)
Vale o registro de que foi uma noite muuuuuuuuuuuuuito foda.
Com direito a todos os amigos juntos, coisa rara por sinal; passeio de bondinho, com vista do Rio de Janeiro à noite, por R$0,60; grito do alto dos Arcos; sambinha de graça; coreografia a la coisinha de Jesus; vontades sanadas; e felicidades muitas...
Não tinha como não registrar...
Valeu por todos os que estiveram lá!!
E quanto a nós Nivita, ainda conheceremos a Orquestra!! :-P

17.11.06

CURSO PARA ENGAVETADOS -by Manuzinha

Curso de “Teoria Queer – cultura, gênero, sexualidade e diversidade”.
Há quase um mês comecei este curso. Com que objetivo? Bom, vamos lá... Digamos que no 6º período da faculdade de Ciências Sociais, pretendendo especialização em antropologia, sem nenhuma perspectiva de trabalho (decente e bem remunerado, por assim dizer), acho que o desespero começou a bater. Pensei que já era hora de escolher um tema para pesquisar, iniciar a tal pesquisa e tentar publicar alguma coisa, optar por uma instituição para tentar mestrado; enfim, um rumo para seguir para tooooooooodo o sempre (ai que medo)! Vá lá, depois de meses e meses seguidos de muita reflexão, resolvi estudar prostituição, ou melhor, prostitutas –sim, mais um trabalho sobre identidade social, JESUS ME SALVE!- decidi também que o Museu Nacional e o CLAM são minhas opções para seguir em diante.
Eis então que um belo dia de sol entro na faculdade e encontro o anúncio deste curso pregado no mural do elevador. É, confesso que não fazia a mais vaga idéia do que fosse a tal da “Teoria Queer”, mas o subtítulo valeu por todo o resto. Caí nessa e resolvi fazer porque, de repente, poderia ser interessante para pensar no meu tema. Segui-se então o recrutamento cuidadoso de uma amiga (coitada, participou do efeito dominó da enganação), vi o preço, local e tudo mais. Nos inscrevemos. Alguns dias de ansiedade me separavam da tal “Teoria Queer”. Legal! Chegou a hora, fomos ao lugar, pagamos, pegamos o material do curso (uma pasta, uns folhetos explicativos, seis camisinhas masculinas e uma femininaà é impressão minha ou para eles mulher trepa menos??), sentamos e ficamos esperando o palestrante. Na falta de coisa melhor para fazer, fui ler os folhetos que vinham dentro da pasta.
Daí por diante as coisas degringolaram de vez. Pra começar o curso é promovido dentro do “Projeto Lésbicas do Rio de Janeiro”. Não que este seja o problema! Sem preconceitos (não por que é feio, mas porque eu realmente acho ridículo “pré-conceitos”; e quem me conhece de verdade bem sabe que estou longe de ser alguém preconceituoso), mas como prisioneira do meu próprio paradigma, houve obviamente um estranhamento e porque não dizer certo incômodo. Incrível, mas todas as mulheres ali fugiam do tipo ideal que todos nós traçamos para lésbicas, o que em verdade me soou brilhante! Consegui controlar este estranhamento e até que agora acho tudo bem normal. Excetuando-se as vezes em que o pessoal começa com um papo de “somos todas companheiras de homossexualidade”, é claro... Tentei imaginar que alguma experiência boa o curso me traria, sem ser a militância por um movimento que não me pertence.
Não, o curso em si não é ruim. A proposta de desconstruir conceitos de gênero, dissipando pré-conceitos é ótima! Mas apesar do curso ser interessante, ter uma boa proposta, o que acontece na prática é outra coisa. Apoio totalmente a militância homossexual, porque afinal, se cada um não lutar por seus direitos, eu é que não vou sair da minha casa para fazê-lo. Mas discordo do conteúdo utópico que as pessoas dão aos seus projetos. Todos lá são adultos, cidadãos participantes, em dia com seus impostos (assim espero!), mas ainda assim sonhadores demais. Inclusão social é importante, necessária, mas sem fugirmos da realidade. E sem ficarmos sonhando também em mudar a realidade de uma hora pra outra, porque todas as experiências históricas nesse sentido se mostraram frustradas, e nos mostraram que isso é impossível.
Não consigo entender como propor educação infantil “multi-sexual” (este não foi o termo que eles usaram, mas como não me lembro, inventei um que o valha). A intenção do pessoal é educar as crianças ensinando a elas que existem sexualidades diversas. DISCORDO! Não vejo como colocar na cabeça de uma criança que o papai tem direito de ser gay, ou uma drag queen, ou que a mamãe te dar de presente uma outra mamãe sem problemas... Ainda não pensei quanto à adoção de crianças por gays, e até acho mesmo que eles podem ser ótimos pais. Mas quanto a essa coisa de “multisexualidade”... Acho que a infância é o período de conhecimento de regras, e não de libertinagem. Ai Jesus, tô sentindo que vão me acusar de preconceituosa! Mas vamos à explicação...
Acho que a identidade é construída ao longo do tempo, e é feita de descobertas pessoais. Ninguém nos diz do que gostar ou não em termos de música, literatura, artes, comidas ou qualquer outra coisa. Acho que também é assim com sexualidade. Excetuando-se poucos, nenhum gay nasce sabendo que gosta de homens, isso faz parte de experiências, experimentações. É assim que conhecemos o mundo, interagindo com ele! Não podemos simplesmente fazer do mundo da sexualidade uma cômoda, onde cada coisa nova que aparece colocamos em uma nova gavetinha. Todos podemos ser tudo, só depende do que queremos ou não experimentar, e de gostarmos ou não daquilo que experimentamos.
E justamente lá, onde a proposta é desmistificar, me parece que todos querem abrir gavetinhas e encerrar o indivíduo dentro delas. Se você é lésbica, você gosta de mulher e só; se você é gay, gosta de homens; se é drag, é viado; cross-dressing é coisa nova no pedaço; se é heterossexual, gosta do sexo oposto... Não é bem assim! Como dizer para uma criança que o viado existe e cobrar dela uma postura diante disso? Nenhuma criança vai saber optar por uma ou outra coisa... Realiza só seu filho chegando em casa e dizendo: “Mamãe, não quero mais ser astronauta, vi que ser drag queen é bem mais legal”... Isso vai criar, antes de uma democracia sexual, um mundo de pessoas oprimidas por suas escolhas baseadas em um total desconhecimento, por certa ingenuidade e desconhecimento infantis.
Vejo que daqui algum tempo o pessoal vai propor a exibição de um “Horário Sexual Gratuito”, na Fox Kids e no Nickelodeon, nos moldes do “Horário Eleitoral”, onde vai aparecer uma drag gritando: “Venha com o tio para este mundo de purpurina!!”; ou um gay dizendo: “Você sabia que gay significa feliz? Pois venha ser feliz e opte pelo que optei!”; ou ainda uma lésbica: “Você é menina e brinca de carrinho? Eu também!”. É certo que estes exemplos que eu dei correspondem só a tipos ideais bestas do senso (ou da falta de bom senso) comum.
Mas enfim, só acho que hoje eu sou heterossexual convicta, gosto de homem, não sinto atração por mulheres ou vontade de nada com nenhuma. Mas e amanhã? De repente eu cruzo com a Catherine Zeta Jones na esquina da minha casa e me apaixono por ela. Então acho mesmo é que a minha definição corresponde ao meu momento, e não à minha vida inteira; porque eu posso ser tudo o que eu quiser, transitar por todas estas gavetinhas, entrar e sair do armário conforme meu estado de espírito. Todos têm sim o direito de estar na “terceira margem do rio”*, mas educar uma criança envolve um pouco mais do que isso; envolve fazê-la conhecer a realidade em cima de percepções do que é concreto. E nada é mais abstrato do que a “terceira margem”! Percebê-la envolve conhecer mais acerca de si mesmo depois de absorver (por mínimo que seja) as dimensões do real. Ou seja, educar uma criança ensinando que a vida é feita de experiências e que o futuro vai dizer a ela tudo o que quiser é uma coisa, tentar liberar geral é outra. Então, que se fechem todas as gavetinhas... mas que se fechem vazias. Que todos sejamos o que queremos ser sem ter que determinar isso para ninguém!


“O aspecto trágico da vida está precisamente nessa lei a que o homem é forçado a obedecer, a lei que o obriga a ser um. Cada qual pode ser um, nenhum, cem mil, mas a escolha é um imperativo necessário.”
(Luigi Pirandello)

*coisa de Guimarães Rosa

14.11.06

"FUTURÍVEL (*)" - By Nívea Maria

Hoje de manhã, no trem, eu estava lendo a entrevista do cientista americano Raymond Kurzweil nas páginas amarelas da Veja. Ele é um entusiasta desse futuro cibernético que se anuncia. Eu confesso que senti arrepios só de ler o título ("Seremos todos cyborgs"); uma pessoa um tanto avessa à tecnologia e ligada às humanidades como eu tem, no mínimo, certa aversão a esses "futurismos". Mas resolvi vencer o embrulho no estômago, engoli a seco e segui em frente na minha leitura matinal.
Kurzweil prevê que, num futuro bem próximo, homens e máquinas se fundirão. Segundo ele, muito em breve a inteligência artificial superará a inteligência humana; o homem acoplará essa inteligência artificial à sua, ampliando assim a sua própria capacidade intelectiva. Seremos então, meio homens, meio máquinas. Minha primeira sensação foi de horror; mas percebi que não posso me esquivar de pensar que essa nova humanidade será uma realidade, e talvez dentro de pouco tempo. Se pensarmos que já estamos criando membros artificiais, que cardíacos vivem com marcapassos dentro do peito, que a medicina estética vem desenvolvendo e esculpindo novas "formas" humanas, podemos dizer que esse futuro já começou.
O que de fato me incomoda é o aparente reducionismo com que esses homens de ciência parecem tratar a condição humana. Se nos tempos de Darwin, Freud e tantos outros, o homem era um ser predominantemente biológico, nesses novos tempos, o homem é um ser tecnológico; parece estar se metamorfoseando na sua criação, as máquinas. Tento vislumbrar esse mundo novo apresentado pelo dr. Kurzweil, e fico me questionando: estará a criatura evoluindo em direção ao criador, ou será que o criador estará se rebaixando à sua própria criação? Acho que ambas as questões fazem sentido. Porém, mais estranho que imaginar que as máquinas podem ser mais inteligentes que os homens é constatar que nós estamos nos assemelhando cada vez mais a autômatos... se pensarmos no consumismo irracional que rege o comportamento das pessoas em nossa sociedade, vemos o quão maquinais estão os homens e suas relações. O triste é que essa "filosofia" consumista transcende as nossas relações com os objetos. Estamos sendo consumistas em nossas relações pessoais e até em nossas crenças.
Mas o que me consola é que tudo tem um limite. E o consumismo terá o seu, creio nisso. O planeta já não o suporta. Seremos obrigados a mudar nossos hábitos, nosso modo de viver, teremos que readaptar nossas necessidades materiais a uma nova realidade, por questão de sobrevivência; ou então estaremos extintos do planeta dentro de poucos séculos. Defendo aqui uma espécie de renascimento, um novo humanismo, menos hedonista, materialista, e mais espiritualista. O desenvolvimento da inteligência artificial provocará uma "crise de identidade", fazendo os homens se voltarem para a questão: qual o verdadeiro sentido de ser Humano? Tenderemos a nos voltar para a filosofia, as artes, a religião, todo esse mundo imponderável, caótico e genuinamente humano de idéias e valores.
Esse novo humanismo não prescinde das necessidades materiais. Não somos (ainda) seres etéreos. Mas elas estarão num plano secundário, no reino do automatismo. Sim, os robôs e as máquinas desempenharão um papel significativo nesse mundo novo, não se pode rejeitar isso... substituirão o homem em muitas de suas tarefas e atividades braçais. Sim, a economia será cada vez mais autônoma, regida pela "mão invisível" de Smith, cada vez menos dependente da política (socialistas e comunistas, torçam o nariz, mas essa é a tendência).
Nesse mundo novo que eu vislumbro a economia e a tecnologia estarão convivendo harmonicamente com a nova humanidade. Sim, porque a humanidade precisa e irá se reinventar. De certa forma, consigo "ver" esse mundo novo. Só ainda não tenho idéia de como será esse homem novo, em toda sua complexidade. Porque uma das principais (pra mim, é a principal) características do ser humano é a imprevisibilidade.
* Nome de uma música do meu querido Gil.

(em 13/11/2006)

7.11.06

"PÁGINAS DA VIDA" by Nívea Maria

Parafraseando o Manoel Carlos, grande cronista do cotidiano, porque hoje tive vontade de escrever sobre uma cena que eu vi. Tem algum tempo que eu não presto atenção nas pessoas, de tão encerrada nos meus próprios problemas e nas minhas questões. Desde que me entendo por gente, o meu maior interesse na vida é pelas pessoas. Sou uma fofoqueira nata! Talvez por isso eu tenha me interessado por antropologia, embora hoje saiba que essa não é bem a minha área. O meu interesse pelas pessoas já foi bem maior, hoje estou mais egocentrada. Mas eu lembro que quando era criancinha, costumava observar as pessoas; olhava fixamente para elas; a maioria se sentia incomodada; as crianças davam a língua.
Pois bem, estava eu hoje no ponto de ônibus, por volta das 13 horas, em frente ao Teatro Municipal, esperando o meu 393 rápido, quando chega um casalzinho jovem. Na verdade, eu mal tinha visto a menina, quem me chamou a atenção foi o menino, feioso de dar dó, esquisitão mesmo. O cara era alto, magrelo, fazia o tipo metaleiro, com um cabelo grande e louro esquisitíssimo, uma cara comprida, dentuço e cheio de espinhas. Feio como quase todos os moleques de 16 anos, e ainda um pouco mais. Parecia que tinha um ovo na boca.
Eu entrei no meu ônibus, eles entraram logo atrás de mim , e sentaram no banco à minha frente. Desde então não pude deixar de presenciar o dramalhão que se encenava naquele instante:
Eu estava distraída, pensando na vida, quando vi a menina dando um beijo no moleque feiosinho; mas, para minha surpresa, ele evitou. Fiquei bolada, até cogitei, hm, ele faz o tipo metaleiro mas de repente é viado; porém continuei na minha, olhando para a janela. Mas de vez em quando a curiosidade batia e eu dava uma espichada. Eles estavam calados, aquele climão; a menina estava virada para a janela, e eu vi que havia uma lágrima no rosto dela. Pronto, fiquei logo penalizada, me condolescendo com a garota... coitadinha, foi rejeitada, isso é terrível, sei bem como é... poxa, como um mocreiúdo daqueles pode rejeitar a menina???Rsssss... verdade, pensei bem assim... comecei a entrar no drama: será que eles já são namorados e ele quis terminar o relacionamento, ou será que ela pretendia iniciar o relacionamento, mas ele deu no pé? Fiquei com a segunda hipótese; pensei no quanto os homens podem ser covardes, não assumindo seus sentimentos, sempre durões, sempre orgulhosos... bateu o lado feminista: os homens são maus! Rsss! Comecei a lembrar de algumas situações que eu vivi, um pouco similares... estava já quase esquecendo o drama principal e adentrando no meu mundinho interior, quando voltei à realidade, ouvindo os soluços da garota. Gente, ela começou a chorar convulsivamente, tadinha!!! Eu morri de pena. O feiosinho, a princípio, ficou imóvel, o que me criou certa indignação; poxa, nem pra dar um abraço, dizer um sinto muito. Ficou caladinho. Além de mocreiúdo, não tem coração!!!
E ela não parava de chorar. Nesse momento, o ônibus inteiro estava de olho no casalzinho. Acho que no fundo quase todo mundo estava pensando exatamente como eu: como é que o feioso pode dar o fora na moreninha? Ela até que era bonitinha, principalmente perto dele. Também fazia o estilo roqueirinha, cabelão preto olhos pintados de preto, um pouco cheinha. Devia ter uns 15 anos, maior carinha de criança. E eu morrendo de pena dela... coitadinha, tão novinha e já sofrendo por amor!!! Nesse momento, eu comecei a falar mentalmente com a garota: que é isso, minha filha? Pare de chorar na frente dele!!! Não seja tão carente, não se faça de fraca!!! Você pode conseguir alguém melhor que esse mocreiúdo... e enquanto isso, a menina se aninhava no colo do seu amado, e no fim ele teve que abraçá-la. Ficaram um tempo assim, e eu voltei a me distrair com a viagem, lembrei que eu preciso estudar pra minha prova de libras, e comecei a cogitar sobre uma graduação, um politécnico desses aí da Estácio em libras. Não sou lá grandes coisas, mas se tiver força de vontade eu aprendo. E isso certamente é um diferencial. Inclusão social é algo que as empresas estão valorizando, e (glória a Deus!) é uma tendencia da sociedade moderna. Acho que pode ser um caminho pra mim, que sempre me senti atraída pelos "fracos e oprimidos".
Estava distraída, quando lembrei novamente do casalzinho, e vi que os dois estavam se beijando. Ai, que bonitinho! Nossa amiga venceu!!!! Amoleceu o coração do feioso. Só faltava a platéia aplaudir, rsss... acho que o choro convulsivo de nossa amiguinha foi fundamental. Com toda a dramaticidade típica das adolescentes apaixonadas, ela abriu seu coração (e abriu o berreiro!), se expôs, e conseguiu conquistar o seu amado. Pode até ter sido pela insistência, mas eu bem acho que ele também gostava dela, só estava com medo de reconhecer, comportamento tipicamente masculino. Assim como a mocinha, eu também já me declarei, e já levei o fora, algumas vezes. Mas não tive a humildade dela de mostrar toda a minha tristeza, assim, de uma forma tão contundente. Humildade é algo que as mulheres, de um modo geral têm, o orgulho está mais ligado ao comportamento masculino. É por isso que eu acho que fui homem na encarnação passada; sou orgulhosa demais...
Agora eles estavam conversando animadamente, ela estava bastante risonha.
Quando os dois desceram, o ônibus inteiro os acompanhou com os olhos. Acho que quase ninguém ficou indiferente àquele drama juvenil que teve um final feliz. A impressão que tive é que eles encenaram uma peça, um estória romantica, com muito sofrimento, mas onde no fim o amor venceu.
Em 06/11/2006

5.11.06


Legião Urbana - "Índios"

Quem me dera, ao menos uma vez,
Ter de volta todo o ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer
Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês
-É só maldade então, deixar um Deus tão triste.
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta prá mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do inicio ao fim
E é só você que tem a cura do meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta prá mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

SOMOS NÓS


Ei pessoal! Somos nós mesmas, Nivita e Manu, conhecidas e consideradas pela rapaziada... O objetivo deste blog não é nada claro, mas pra falar a verdade nós também somos pessoas confusas! Talvez ele sirva mesmo para mostrar a todos que esta confusão ultrapassa os limites daquilo que todos podem ver...
Enfim, entrem aí e comentem nossas doideras... :-P