REFLEXÕES DE UMA PSEUDO-PSEUDO-PSEUDO... TEÓRICA (OU DE UMA FILHA-CORUJA) SOBRE EDUCAÇÃO
By Nívea Maria
Em 04 de junho de 2007.
Falar sobre educação pra mim é algo significativo. É um tema que me comove, talvez porque eu seja filha de uma educadora apaixonada, aficcionada, quase fanática pelo seu ofício; talvez porque eu mesma tenha dentro de mim esse germe (ou gene ,rs). Como quase todas as meninas, pelo menos da minha época, eu também desejei ser professorinha. Já na adolescência, passei por uma fase de horror à educação. Hoje, já não tenho aquele horror, mas sinto que ser professor é tarefa para os fortes, ser professor de ensino fundamental é médio da rede pública, nesse nosso país, então, é para os missionários, para as almas que estão se candidatando a santas. E eu ainda me vejo covarde demais para ser missionária ou mártir.
Mas eu confesso que tenho um fascínio pelos educadores. Minha mãe é um exemplar de educadora profundamente envolvida com o seu trabalho. Ela dá aula para os pequenininhos, num CIEP de uma comunidade em Paciência. Ela sempre chega em casa contando mil estórias, algumas engraçadas, outras bem tristes, sobre seus alunos. Aliás, a minha mãe sempre fala sobre trabalho, o tempo todo, seja com quem for. É claro que às vezes as pessoas ficam um pouco de saco cheio; mas eu admiro o tesão que ela tem pelo trabalho dela, mesmo com tantas desilusões, que lhe custam uma pressão somente controlada a base de remédios.
Eu gosto de ouvir os "causos" dela, porque sempre me fazem pensar muito. Me bate aquele incômodo, aquele pensamentozinho renitente e dolorido: mas será que isso tem jeito? Como podemos mudar essa realidade? Como é que se pode trabalhar nessas condições? Essas idéias às vezes me torturam.
Uma coisa costuma me aborrecer é quando leio a opinião de alguns teóricos que, no alto de sua visão (teórica) distanciada da realidade, apontam todos os erros do sistema educacional desse país e sugerem como solução o "exemplo coreano", ou o francês, o holandês, sei lá... como se cada país, cada sociedade, cada grupo não tivesse suas particularidades. Mesmo no nosso país, falar em "problema da educação" soa estranho, porque cada região, cada sub-região, cada periferia desse imenso país tem seus desafios. Dizer simplesmente que o fracasso da educação no Brasil está atrelado à pobreza é generalizar, e por isso, omitir certas realidades. Aliás, a educação em nosso país não é só feita de fracassos. Tem muita cosa boa sendo feita, e dando certo. Mas nem quero fica me prendendo a casos que eu conheço só de ler em jornais ou revistas. O que eu conheço, e mesmo assim um pouco, é a realidade do ensino público nas escolas do Rio de Janeiro, essa nossa cidade maravilhosa, mas cheia de desencantos. Fazendo um pequeno resumo, e obviamente simplificando o que é bastante complexo: temos escolas sem infra-estrutura, professores despreparados (mas que isso não seja visto como pura crítica aos educadores - alguns, obviamente são pouco aptos à atividade que exercem, mas muitos são plenamente aptos - é apenas uma constatação de que a realidade é tão dura e complexa, que ser "preparado" para enfrentá-la é praticamente uma missão impossível), salas de aula abarrotadas (o que dificulta, e muito, o trabalho dos professores), alunos que convivem com uma realidade de exclusão social e violência, muitos com seriíssimos problemas familiares e históricos de abusos e explorações, e um governo que historicamente sempre esteve omisso a toda essa realidade, que paga muito mal os profissionais da educação, e que no fundo, sabemos, bem que deseja que as coisas continuem exatamente como estão. Porque é mais fácil que a população viva na ignorância e carente de recursos básicos, assim nos períodos de eleição nossos excelentíssimos candidatos poderão continuar fazendo suas promessas e distribuir suas esmolas em troca de votos.
Eu somente acredito no crescimento desse país quando todos tiverem direito à educação, e principalmente, quando, individualmente, cada um tenha consciência da importância da educação na própria formação como ser humano e cidadão, assim como na formação das gerações futuras. Sei, porem, que enquanto ainda se luta para colocar o pão de cada dia dentro de casa, ou ainda, quando o desejo de ser aceito socialmente via poder de consumo for a grande meta humana, fica praticamente impossível delegar a devida importância à educação. O desafio é gigantesco, exige mudanças nas condições de vida das pessoas, e também, nas mentalidades dos indivíduos.
Enquanto isso eu peço a Deus que dê forças e coragem aos atuais e futuros educadores para que não desistam da sua bela e árdua tarefa. Porque a frustração e a sensação de impotência convive com essas pessoas, mas o importante é ter sempre aquela paz interior, a consciência tranquila de saber que está fazendo o melhor que pode, e que os frutos que poderão render desse trabalho, muitas vezes serão colhidos num futuro, talvez um pouquinho longínquo... o que importa é jamais perder o ideal.
Valeu, mãezinha!
Em 04 de junho de 2007.
Falar sobre educação pra mim é algo significativo. É um tema que me comove, talvez porque eu seja filha de uma educadora apaixonada, aficcionada, quase fanática pelo seu ofício; talvez porque eu mesma tenha dentro de mim esse germe (ou gene ,rs). Como quase todas as meninas, pelo menos da minha época, eu também desejei ser professorinha. Já na adolescência, passei por uma fase de horror à educação. Hoje, já não tenho aquele horror, mas sinto que ser professor é tarefa para os fortes, ser professor de ensino fundamental é médio da rede pública, nesse nosso país, então, é para os missionários, para as almas que estão se candidatando a santas. E eu ainda me vejo covarde demais para ser missionária ou mártir.
Mas eu confesso que tenho um fascínio pelos educadores. Minha mãe é um exemplar de educadora profundamente envolvida com o seu trabalho. Ela dá aula para os pequenininhos, num CIEP de uma comunidade em Paciência. Ela sempre chega em casa contando mil estórias, algumas engraçadas, outras bem tristes, sobre seus alunos. Aliás, a minha mãe sempre fala sobre trabalho, o tempo todo, seja com quem for. É claro que às vezes as pessoas ficam um pouco de saco cheio; mas eu admiro o tesão que ela tem pelo trabalho dela, mesmo com tantas desilusões, que lhe custam uma pressão somente controlada a base de remédios.
Eu gosto de ouvir os "causos" dela, porque sempre me fazem pensar muito. Me bate aquele incômodo, aquele pensamentozinho renitente e dolorido: mas será que isso tem jeito? Como podemos mudar essa realidade? Como é que se pode trabalhar nessas condições? Essas idéias às vezes me torturam.
Uma coisa costuma me aborrecer é quando leio a opinião de alguns teóricos que, no alto de sua visão (teórica) distanciada da realidade, apontam todos os erros do sistema educacional desse país e sugerem como solução o "exemplo coreano", ou o francês, o holandês, sei lá... como se cada país, cada sociedade, cada grupo não tivesse suas particularidades. Mesmo no nosso país, falar em "problema da educação" soa estranho, porque cada região, cada sub-região, cada periferia desse imenso país tem seus desafios. Dizer simplesmente que o fracasso da educação no Brasil está atrelado à pobreza é generalizar, e por isso, omitir certas realidades. Aliás, a educação em nosso país não é só feita de fracassos. Tem muita cosa boa sendo feita, e dando certo. Mas nem quero fica me prendendo a casos que eu conheço só de ler em jornais ou revistas. O que eu conheço, e mesmo assim um pouco, é a realidade do ensino público nas escolas do Rio de Janeiro, essa nossa cidade maravilhosa, mas cheia de desencantos. Fazendo um pequeno resumo, e obviamente simplificando o que é bastante complexo: temos escolas sem infra-estrutura, professores despreparados (mas que isso não seja visto como pura crítica aos educadores - alguns, obviamente são pouco aptos à atividade que exercem, mas muitos são plenamente aptos - é apenas uma constatação de que a realidade é tão dura e complexa, que ser "preparado" para enfrentá-la é praticamente uma missão impossível), salas de aula abarrotadas (o que dificulta, e muito, o trabalho dos professores), alunos que convivem com uma realidade de exclusão social e violência, muitos com seriíssimos problemas familiares e históricos de abusos e explorações, e um governo que historicamente sempre esteve omisso a toda essa realidade, que paga muito mal os profissionais da educação, e que no fundo, sabemos, bem que deseja que as coisas continuem exatamente como estão. Porque é mais fácil que a população viva na ignorância e carente de recursos básicos, assim nos períodos de eleição nossos excelentíssimos candidatos poderão continuar fazendo suas promessas e distribuir suas esmolas em troca de votos.
Eu somente acredito no crescimento desse país quando todos tiverem direito à educação, e principalmente, quando, individualmente, cada um tenha consciência da importância da educação na própria formação como ser humano e cidadão, assim como na formação das gerações futuras. Sei, porem, que enquanto ainda se luta para colocar o pão de cada dia dentro de casa, ou ainda, quando o desejo de ser aceito socialmente via poder de consumo for a grande meta humana, fica praticamente impossível delegar a devida importância à educação. O desafio é gigantesco, exige mudanças nas condições de vida das pessoas, e também, nas mentalidades dos indivíduos.
Enquanto isso eu peço a Deus que dê forças e coragem aos atuais e futuros educadores para que não desistam da sua bela e árdua tarefa. Porque a frustração e a sensação de impotência convive com essas pessoas, mas o importante é ter sempre aquela paz interior, a consciência tranquila de saber que está fazendo o melhor que pode, e que os frutos que poderão render desse trabalho, muitas vezes serão colhidos num futuro, talvez um pouquinho longínquo... o que importa é jamais perder o ideal.
Valeu, mãezinha!
